~#EDGAR ALLAN POE#~

Author: Ravenna Raven: /



~#Edgar Allan Poe#~
19*01*1809 - 07*18*1849

Edgar Allan Poe nasceu em Boston, USA, em 1809 de um casal de atores fracassados. Órfão aos dois anos foi adotado por um rico comerciante viajou muito, assim recebendo esmerada educação clássica. em 1826 foi para a universidade de Virgínia, estudando grego, latim, francês, espanhol e italiano, mas logo acaba abandonando os estudos por causa do vicio no jogo.

No ano seguinte publica "Tarmelião" e outros poemas, e, em 1829 um novo volume de poesias: "Al Araaf" e poe
mas menores. Ingressa na West Point, mas é expulso por faltar as aulas. Dedica-se então à literatura, numa vida nômade e inconstante.

Em 1831 publica Poemas; em 1833 com "Manuscrito Encontrado numa Garrafa" ganha o prêmio de 50 dólares e torna-se redator e editor do Literary Messenger mas é demitido por abuso de bebida. Em 1838 trabalha como editor no Button's Gentlemem Magazine e escreve "A Queda da Casa de Usher", e "Contos do Grotesco e do Arabesco".
Em 1840 demite-se e em 1841 passa a editar Grahan's Magazine, onde escreve seu primeiro romance policial "Crimes da Rua Morgue" e "O Escaravelho de Ouro" que lhe dá um prêmio de 100 dólares e muito prestígio e publicidade e em 1848 escreve "A Balela do Balão" e torna-se subeditor do Evening Mirror, onde publica sua obra máxima o poema "O Corvo".

Edgar Allan Poe morreu em 1849 em plena miséria, mas se tornou imortal nos seus contos e poemas que ainda assombram e dão inspiração a inúmeros seguidores desse mestre do soturnismo...
R.Raven

~#ANNABELL LEE#~

Há muitos, muitos anos, existia
num reino a beira - mar.

Uma virgem que bem se poderia

Annabel Lee chamar.

Amava-me, e seu sonho consistia
Em ter-me para amar.
Eu era criança ela era uma criança
no reino a beira-mar:
mas nosso amor chegava , ó Annabel Lee
o amor a ultrapassar,
amor que os próprios serafins celestes
vieram invejar.
Foi por isso que há muitos, muitos anos,
no reino à beira-mar
de uma nuvem soprou um vento e veio
Annabel Lee gelar.
E seus nobres parentes se apressaram
em de mim a afastar,
para encerra-la em uma sepultura,
no reino a beira-mar.
Os anjos, que não eram tão felizes,
nos vieram a invejar.
Sim! Foi por isso(como todos sabem que no reino à beira-mar)
que um vento veio, à noite, de uma nuvem
Annabel Lee matar.
Mas nosso amor o amor dos mais idosos,
de mais firme pensar
podia ultrapassar.
E nem anjos que vivam nas alturas,
nem demônios do mar,
Jamais minha alma da de Annabel Lee
poderão separar
Pois, quando surge a lua, há um sonho que flutua,
de Annabel Lee, no luar;
e, quando se ergue a estrela o seu fulgor revela
de Annabel Lee o olhar;
assim, a noite inteira, eu passo junto a ela,
a minha vida, aquela que amo, a companheira,
na tumba a beira-mar,
junto ao clamor do mar.

~#O VALE DA INQUIETUDE#~

Dantes, silente vale sorria.
Era um vale onde niguèm vivia,
Haviam todos partido
em guerra
deixando os doces olhos de estrelas
noturnamente velarem pelas
flores formosas daquela terra,
em cujos braços, dia após dia,
a luz vermelha do sol dormia.
Não há viajante que, hoje não fale
sobre a inquietude do triste vale.
Lá, agora, tudo é só movimento,
exceto os ares, pesando, adustos,
nas soledades de encantamento.
Ah! Nenhum vento move os arbustos
que vibram como as ondas geladas.
Em Torno às Hé bridas enevoadas!
Ah! Nenhum vento essas nuvens guia,
murmurejantes, nos céus insanos,
e que se arrastam, por todo o dia,
sobre violetas, que alguem diria
serem milhares de olhos humanos,
e sobre lírios, de haste pendida.
tremendo; e sempre caem, com o perfume,
gotas de orvalho do flóreo cume;
chorando; e desce, nas hastes frias,
um pranto eterno de pedrarias.

~#SÓ#~
Não fui na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam,
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
E era o outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
ASSIM, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpada montanha,
do solque todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o cêu inteiro incendiaram;
e do trovão,da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do cèu puríssimo
como um demônio, ante meus olhos.


~#SILÊNCIO#~
Há qualidades incorpórias, de existência
dupla, nas quais segunda vida se produz,
Como a entidade dual da matéria e da luz,
de que o sólido e a sombra espelham a evidência
Há pois, duplo silêncio; o do mar e o da praia,
do corpo e da alma;um mora em deserta região
que erva recente cubra e onde, solene, o atraia
lastimoso saber; onde a recordação
O dispa de terror;seu nome é "Nunca mais";
é o silêncio corpóreo.A esse, não temais!
Nenhum poder do mal ele tem. Mas, se uma hora
Um destino precoce (oh! destinos fatais!)
vos levar às regiões soturnas, que apavora
sua sombra, elfo sem nome, ali onde humana palma
jamis pisou, a Deus recomendai vossa alma!

~#O CORVO#~
~#THE RAVEN#~

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais. "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais. É só isto, e nada mais.

"
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais - Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo: "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isto, e nada mais.

"
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, "Senhor", eu disse, "ou senhora, de certo me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo Tão levemente, batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais - Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais, Isto só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais. Meu coração se distraia pesquisando estes sinais. É o vento, e nada mais." Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um Corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nenhum momento, Mas com ar sereno e lento pousou sobre os meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais. Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado, Ó velho Corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais." Disse o Corvo, "Nunca mais". Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome "Nunca mais".

Mas o Corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento, Perdido murmurei lento. "Amigos, sonhos - mortais Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais." Disse o Corvo, "Nunca mais". A alma súbito movida por frase tão bem cabida, "Por certo", disse eu, "são estas suas vozes usuais. Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entorno da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais Era este "Nunca mais"

.
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, Com aquele "Nunca mais". Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais, Reclinar-se-á nunca mais! Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. "Maldito", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!" Disse o Corvo, "nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! - Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais, A este luto e este degredo, e esta noite e este segredo A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!" Disse o Corvo, "Nunca mais". "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! - Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais, Dize a esta alma entristecida, se no Éden de outra vida, Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!" Disse o Corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo", eu disse. "Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais! Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!" Disse o Corvo, "Nunca mais". E o Corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda, No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais. E a minh'alma dessa sombra que no chão há de mais e mais, Libertar-se-á... nunca mais!

Edgar Allan Poe




~☥CHARLES BAUDELAIRE ☥~

Author: Ravenna Raven: /

CHARLES BAUDELAIRE
09*04*1821 - 31*08*1867
Natural de Paris, Bauldelaire nasceu em 1821. Ófão de pai, teve sua infância marcada por uma total incompatibilidade com seu padrasto.Repudiado pela familia por sua precoce vocação literária, foi mandado para a Índia em 1841 supondo-se que assim seriam frustradas suas intençõe o que não adiantou muito...Assim publicando seu livro o mais famoso "As Flores do Mal" em (1857)

Em sua maturidade Baudelaire lutou com terriveis dificuldades financeiras, pois dissipara a pequena fortuna que herdara do pai em bebidas, narcóticos e mulheres.Em Bruxelas para onde se trasferira em (1864) foi vitimado pela paralisia.Regressando a França, onde morreu em (1867).

Além de suas obras poéticas, Baudelaire também foi autor de uma série de trabalhos ensaísticos e de um volume sobre os efeitos do Haxixe e do ópio sobre a mente humana , intitulado "Les paradis artificiels"(1860).

Publicou ainda alguma ficção em prosa e excepcionais traduções da obra do contista e poeta norte - americano Edgar Alan Poe, de quem era grande admirador.

O RESGATE
O homem que a sua remissão
Na terra pensar em pagar,
dois campos terá que arrotear
mas com o ferro da razão;
Para que germine a semente
Para obter do chão uma espiga,
Do pranto o sal da fronte antiga
deve tombar continuamente.
Um é a Arte, o outro é o Amor.
E para obter do juiz a graça,
Na hora em que finalmente nasça
Da justiça o dia em terror,
deve-se mostrar-lhe o celeiro
Cheio de meses e de flores
Cujas feições e mais cores
Tenham dos céus o apoio inteiro.

~#HINO#~

Á muito cara, á muito bela,
Que me enche a alma de claridade,
ao anjo - ídolo que se estrela -
salve em sua imortalidade!
Ela se expande em minha vida
Como ar impregnado de sal,
E por minha alma ressequida
derrama o gosto do eternal.
Fresca fragrância que perfuma
O ar que algum canto azul acoite,
Perdido incensório que fuma
Em segredo atráves da noite.
como, ó amor incorruptivel,
Vir exprimir-te com verdade?
És grão de almíscar invisivel
sepulto em minha eternidade!
Á muito cara, á muito bela
Que me enche a alma de claridade,
Ao anjo - ídolo que se estrela -
Salve em sua imortalidade!

~#O AMOR E O CRÂNIO#~

O amor sentado sobre o crânio

Desta humanidade ,
E sobre este trono profano
A rir de maldade,
Sopra a sorrir bolhas redondas
Que sobem pelo ar,
Como se ao mais longínquo mundo
Quisessem chegar.
O globo luminoso e frágil
Voa arrebatado,
rompe e escarra a alma delicada
Como um sonho dourado.
Escuto o crânio a cada bolha
Gemente rezar:
"Esta feroz farsa ridícula
Quando irá acabar?
Pois o que a tua boca amarga
Joga pelo ar langue
É cérebro, ó monstro assassino,
É coração e sangue!"


~#A GIGANTA#~

E no tempo em que a vida e com veia que espanta,
Sabia conceber o pródigo e o monstruoso,
Teria amado estar junto a jovem gigante,
Como aos pés de rainha um gato voluptoso.

Teria amado ver a florescente dama
Livremente crescer em seu terrivel jogo;
figurar-lhe no peito uma sombria chama
A esta umidez brumal dos seus olhos de fogo;

Percorrer devagar ao seus flancos vermelhos;
A vertente subir dos seus enormes joelhos,
E ás vezes, ao verão , na hora em que o sol exangue

Faz que ela se espreguice através da campina
Adormecer á sombra do seu serio, langue,
Como ameno casal aos pés de uma giganta.

~#OS MOCHOS#~
Sob teixos negros onde habitam,
Os mochos estão em fileiras,
Tal como deusas estrangeiras,
Dardando o olhar rubro.Meditando.
Imóveis eles ficarão,
Até o minuto de dor turvo,
Em que vencendo o sol recurvo,
Finalmente as trevas serão.
E cada corvo ao sábio ensina
Que se deve fugir á sina
Da mudança que nos condena.
O homem que tudo faz mudar
Leva por tudo e sempre a pena
De haver mudado de lugar.

~#SEPULTURA#~
Se por noite cheia de assombros
Um bom cristão, todo apiedado,
Enterra sob velhos escombros
O teu corpo tão celebrado.
Na hora em que as límpidas estrelas
Cerrarem olhos de miosótis
A aranha aqui fará as teias
E a víbora fará os filhotes;
Ouvirás, toda a temporada,
à tua fronte condenada,
Uivos de lobo em solidões.
E os dos feitoiceiros famintos
E dos velhos cheios de instintos,
E o vil concluio dos ladrões.

~#O HEAUTONTIMORUMENOS#~
Sem ira eu hei de te atacar
Como um carniceiro e sem ódio!
Como o fez Moisés no episódio
Do rochedo - e de teu olhar,
Há de beber o meu Saara,
A água do sofrimento mansa.
Meu sonho cheio de esperança
No teu pranto como nadara!
Como uma nave que ao mar larga,
E em minha alma que embriagarão
Teus soluços ressoarão
Como um tambor que bate a carga!
Pois eu não sou um falso acorde
Nesta divina sinfonia,
Graças à voraz ironia
Que me sacode e que me morde?
Ela em minha voz vocifera!
Todo o meu sangue é este veneno!
Eu sou espelho tão terreno
Em que se contempla a megéra!
Eu sou a ferida e o punhal!
Eu sou o rosto e abofetada
A roda e a carne lacerada
Carrasco e vitima afinal.
Vampiro de meu coração
Eu sou destes abandonados
Ao riso eterno condenados
E que nunca mais sorrirão!

~#AS METAMORFOSES DO VAMPIRO#~
Ela de sua boca de cereja e de asa,
Torcendo-se assim como a cobra numa brasa,
E os seios a moldar à dura barbatana
Do espartilho falou empregnada de havana:
* "Trago os lábios molhados e possuo a ciência
De perder por um leito a minha consciência
Eu seco todo choro em meus seios divinos,
E faço rir os velhos tal qual meninos.
Eu substituo, aos que possam ver-me sem véus,
O plenilúnio, o sol, as estrelas e os céus!
Eu sou tão douta na volúpia, caros sábios
Quando um homem afogo no mar dos meus lábios,
Ou então quando entrego as mordidas meu busto,
Tímido e libertino e frágil e robusto,
Que os anjos sobre o meu desmaiado colchão
Iriam ter em mim a sua danação"*
Quando ela me sorveu dos ossos a medula,
E tão languidamente a buscou minha gula,
Viu o beijo de amor que nela final pus,
Flanco viscoso de ocre a transbordar de pus!
Meus dois olhos fechei num susto de fobia,
Depois quando os abri aviva luz do dia,
Junto a mim em lugar de manequim tão langue,
Que ali estava a estuar de provisão de sangue,
Tremeu de um esqueleto a visão tão daninha,
Ainda a emitir os sons de distante ventoinha
Ou de triste varão que prende a tabuleta
Que oscila ao vento pela noite fria e preta.

~#O VAMPIRO#~
Tu que como uma apunhalada,
Entraste no meu coaração triste;
Tu que forte como manada
De demônios, louca surgiste,
Para no espírito humilhado
Encontrar o leito a o ascendente;
-Infame a que estou atado
Tal como o forçado á corrente,
Como ao baralho o jogador,
Como á garrafa o borrachão,
Como aos vermes a podridão,
-Maldita sejas, como for!
Implorei ao punhal veloz
Que me concedesse a alforria,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.
AH!pobre! O veneno e o punhal
Disseram-me de ar zombeteiro:
"Ninguém te livrará afinal
De teu Maldito Cativeiro.
AH! Imbecil - de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressucitaria
O cadáver de teu vampiro!"

~#TODA INTEIRA#~

O diabo, em meu quarto um dia,
Apareceu para me ver,
Pensando que me confundia,
Disse-me: "Eu quisera saber,
De todas as coisas formosas,
Que fazem com que a queriras tanto,
De todas as noites e rosas,
Que de seu corpo são o encanto,
Qual é a mais doce?" - Oh minha alma!
Respondeste ao Escarnecido:
"Pois que ela é um bálsamo de calma,
Nada ela de preferido.
E meu ser sempre ao vê-la ignora,
Em que encantos dos seus se acoite
Ela fascina como a Aurora,
Ela consola como a Noite.
Mas esta harmonia é imprecisa
Que o seu belo corpo governa,
A nossa visão que a analisa
Não vê sua beleza eterna.
Ó metamorfose tão mística
Que os meus sentidos já resume!
o seu hálito faz a música
E a sua voz faz o perfume!"

~#A ALMA DO OUTRO MUNDO#~

Como os anjos de ruivo olhar,
Á tua alcova hei de voltar
E para ti irei sem ruído
Na noite de sombra e de olvido;
E eu te darei, morena e nua
Beijos frígidos como a lua
carícias de serpente nova
A despertar da orla da cova.
Chegando o amanhecer sombrio,
Verás o meu lugar vazio,
Que será sempre frio e quedo.
Como os outros pela suavidade,
Eu sobre a tua mocidade,
Quero reinar mais pelo medo!

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AMIGOS DA HOUSE

#FACILIS DESCENSUS AVERNI#

A noite de imensa luz
O grito que não acaba
Tantas bocas que mastigam

facilis descensus averni!

A carne já não faz parte
A alma jaz carcomida
Mil gerações são corrompidas

facilis descensus averni!

A dôr de não sentir dôr
As lágrimas de rubro sabor
As chagas a balbuciar

facilis descensus averni!

Abantêsmas de negro altar
Com pútrida infecção
Sussuram em ade hostil
A dádiva da perdição.

Palavras em cacos de vidro
Conselhos de um desgraçado
Uma voz de negro fel
Com o timbre enfarpado.

Não há mais salvação,
Tu és "caro data vermibus"
E em unissono ressoam...

FAcilis Descensus Averni...Averni...Averni...Averni...

(Iam Godoy)


#10 PASSOS PARA MORRER#

No primeiro passo olhei para trás e vi alguém me seguindo
No segundo achei uma garrafa
No terceiro um cigarro aceso
No quarto uma mulher
No quinto uma arma
No sexto atirei na mulher
No sétimo larguei a arma
no oitavo achei um espelho
No nono descobri que eu era a mulher que matei
No décimo levei um tiro de quem me seguia,
Ele fumava e bebia.

(Adriano Siqueira)


#HINO AO DESESPERO#

Eu tenho sede
Sede de água de rio lamacento na seca

Sede de vinho
de taça de vidro cravada no peito

Sede de lágrima
De virgem podre na tumba.

Sede de sangue
De rato por vampiro sugado

Sede de cuspe
De freira que do beijo se enoja.
Eu tenho sede de morte
De morte condenada
À imortalidade.

(Alessandro Reiffer)

#CATEDRAL#

Esse túmulo de mortos
Tem pinturas de anjos feios;
Concretos de cores negras
Que de sujeira estão cheios.

Cristo chora e sofre em sangue
Na cruz acima do altar.
a triste canção do orgão
Traz sombras para o lugar.

Eu tento ficar em paz
No Silêncio dessa igreja
Um desejo que jamais
Aqui dão a quem deseja.

Ecoam gritos de dor
Por todo este lugar santo,
São trevas num cobertor
Que me cobre como um manto.
As pessoas vêm aqui
apenas para rezar
Mas qualquer cristão orando
Sempre começa a chorar.
E eu ouço a dor do cristão,
Dor que dói demais sentir
Premendo meu coração,
Começando a me ferir!

(Arcano Soturno)

#GÉLIDO#

Como um morto, não tenho sentimentos.
Tão gélido, meu olhar não se expressa.
Essa brisa congela meus tormentos,
Pareço no seu amor não ter pressa.

O que tortura é o seu lugar preenchido,
Essa ilusão de por mim ser amada.
Falsa esperança tenho prometido,
Sorumbática amante fracassada.

Eu não sofro por ti ser desejado.
Sofro ao saber que por ti sou amado,
Nesse amor que pra ti vira inferno.

Iconoclasta, quebra meu amor
E me constrange a dar-te nessa dor
Rosas brancas para o teu sono eterno.

(Arcano)


#EU SOU#

Seu pesadelo, o mal infinito
Seu medo, o desejo mais bonito
Sou seu carma, teu destino
sou seu destemido vampiro.

Eu sou o motivo de sua dor
Sua agonia, sua anêmia seu terror
Sou a encarnação do mal
Sou seu dono, você meu animal.

Sou um parasita hospedeiro
Moribundo poderoso, que se alimenta de seu desespero
Sou aquele que sua mente cansa,
Que teu corpo chama.

Que teu sangue consome
E com sua vida aos poucos some.
Sou toda a emanação negativa,
Sou a personificação do mal,

Amo assassinar
Sou seu mestre...
Eu sou Vampiro...

(Guto Sioux)


#ANUNCIAÇÃO#

Há anos de datas perdidas
Acontecia a anunciação,
Vida nascendo do trigo
Morte nascendo do pão

Em passos sutis, dançavam
As gêmeas em precisão
Criando a fase de vida
Morte, paz e destruição

O toque tátil que continhas
Era como o beijo de um querubim,
Mutante, deveras estranho,
Mordia e rasgava em mim.

Tão iguais, diferentes assim
Qual será tua progenitora?
A bela dama do campo
Ou a mais fria caçadora?

Olhos celestes, boca infernal
Junção mística ou real,
Qual o nome sagrado
das damas do bem e do mal?

Há anos de datas perdidas
aconteceu a anunciação.
A negra maldade era a luz
E a alva paz, a escuridão.

(Iam Godoy)


#RENEGADOS#

Ela os aceitou assim como eles eram

Excomungados, regeitados,
Deu sua força, sua benção sem pedir nada em troca
Sem cobrar nada...tocando-os com seus véus delicados.

Entre eles havia uma depêndencia
A noite os alimentava, os protegia.
Até os dias recentes ela é cheia de mistérios,
Segredos...e magia.

Eles sabiam...todos, cada um deles,
Fossem os bons ou ruins.
Quando procuravam seu alimento sagrado
Ela os guiava por caminhos, seguros ou não, com trilhas bifurcadas que pareciam não ter fim.

Se aventuravam e se saciavam mas,
Regressavam ainda em sua companhia,
Para seu descanso até a noite seguinte
Que quem dera fosse eterna, extinguindo- se assim a luz do dia...!

(R.Raven)

*DEVANEIOS*

Sou a chama que queima em seu pensamento

A árvore que balança com o sopro do vento.

Sou a arte que brinca em seus dedos
Sou o ardor que corrompe seu ser
Sou o pesadelo que te persegue em seus sonhos
E cada segundo quando pensa em morrer

Sou o desejo que eleva seu membro viril.
Sou o seu devaneio do mais belo ao mais hostil

Na escuridão sou a bruma que lhe envolve
Sou o ódio seu alimento pela vida
Sou o sangue seu alimento após a Morte...

(R.Raven)

*FINADOS*

Estou e ainda existo,

a terra meu mais novo cisto,

Meu berço úmido, meu novo sono

Minha manta, as folhas caidas do outono.

As lágrimas dos inconformados

Banhando a cidade de pouca vida

De mármore feito e talhado

Com frases e fotos comidas.

Por quê me abandonaste assim?

Por quê me negou seu amor?

assim derrubaste o querubim

No negrume eterno da dor.

A pá, minha única espada

O esquife, meu castelo verdadeiro.

A terra, o meu campo de batalha

A morte, meu fiel escudeiro.

(Iam Godoy - 1999)

*NEVAR*

É noite...

Chegaste num vôo louco

Bruma intempérie a planar

Nos arredores do chão.

A vida...

Que corre nas vilas

Em forma de pais, mães e filhas

É a sua obcessão.

Quem dera...

O abraço de suas lúgubres asas

Fôsse a benção que minh'alma

Ansiava por receber.

Tua boca...

Mapeando minha face ponto a ponto, explorada

Na beleza do MORDER.

Nesta face...

Que brilhava em alvo mármore

Bem tratado e sutil

Jamais visto por aqui.

Tão lasciva...

Pela força, libertadas

Brotaram de sua boca, ativa

Gotas do mais puro rubi.

É Noite - A Vida...

Quem dera - Tua boca...

Nesta face - Tão lasciva!

(II)

Então você partiu

Com os lábios e os seios

banhados de fresca vida

deixando-me o estigma.

Do choro rubro do corpo

Que formava entre as curvas

O mapa do fim da vida.

Passaram-se séculos

E o flâmeo ósculo, tilinta

O meu doentil pensar:

- Se és de morte nosso caminho

Se é, em pó e sombras

Que vamos terminar;

Quão maldita vida lança

Que vamo-nos trilhar?

(Iam Godoy)

#EU NÃO#

Eu não sou para ser o que não sou

Para viver a vida

que para todos é a vida, que não é a vida

para mim.

Antes não estivesse estado aqui

nem escrito o que escrevi

versos inuteis que no fundo, bem no fundo

ninguem nunca vai - me ler

é que no fundo essa vida

Como dizem que é a tal vida não vale a pena viver

é que as normas e as regras

que me dizem para que siga

não me servem

não me valem

não me seguem

não me são

Eu não sou

não posso ser humano

sinto nojo do que é igual

náuseas do real

tenho asco de tudo

não me adapto a nada, jamis achei o endereço

que me deram neste mundo

jamais achei o mundo de que tenho o endereço

jamais achei - me:

É que nunca estou onde penso que sou EU

(Alessandro Reiffer)

#SOB OS ESCOMBROS#

Ermo estranho...
Vísceras sangrando sem
espanto.
Um pedestal escuro no
relâmpago, o ouro
brilhando.

Pergaminhos voando...
O vento corroendo um
monte de besteiras.
Corrompendo a alma
das Trevas visionária.

Que eu saiba então ser
a misericórdia das bestas.

Pois que este ermo
são elas vestidas de
luto e rosas negras.

Ah! Esta é a minha
Língua mais
fantasmagórica!...

(Ana Dominik Spuk)

#MÁRMORES E CETINS#

Faz tempo vi a lua.
Esdrúxula e temporária
como o sangue
ácido.
Agora o tempo são as
horas,
senhoras moças
fazendo rendas pretas.
Caio de joelhos ante ao
vampiro que me escora.
Sábio...
Ele é a lua,
nu, cru,
Jura-me sua perene
alvura.
Hoje é dia de ver o
fogo...
A lua, o vampiro,
estão dentro de mim
tecendo mármores
e cetins.

#DIÁLOGO FRIO#


Genuína Sombra,
que me socorre e
me põe em febre.
Diria a Ti um mundo
de juras,
Estas tantas meninas
de além-mundos.
Estes hálitos mornos
por vezes caóticos.
Mas Sombra, na minha
discórdia com o clarão de
alguns reis insólitos,
Aqui no fundo Te cumprimentei...
Tua Mão que me levantou de
um túmulo.

(Ana Dominik Spuk)

#CADÁVER#

Gritos são ouvidos nas trevas
Choques, pontapés, tapas e socos
Dilaceram um corpo pendurado
Com carne no açougue.

Torturadores exigem respostas
De um estudante vazio de perguntas.
Seu sangue escorre pelo rosto
Enquanto navalhadas cortam-lhe o peito.

Voz e a razão
Não mais lhe habitavam
Somente seu silêncio:
O estudante finalmente estava “livre”...

Dias depois um corpo
Em estado de putrefação fora encontrado.
Mais uma vez apenas o silêncio:
Ninguém viu
Ouviu,
Sequer falou...

(Agamenon Troyan)

# CICLO DO VENTO FRIO#

Dos impróprios ventos que te gelam

Vem a força da morte que te acompanha
Espasmos de vida inútil
Cercam teus dias infindáveis
Lançando um sopro de amargo beijo

Beijos sem propósitos
Disfarces de um sentimento impuro
Amor é balela... Resto de ilusão
Cumpra teu tempo, menos que precisa
Corte tudo ao redor
Molde tuas casas, imensas, vazias
Mude
Mudo
Cale-se para o vento
Ouça o que ele tem a lhe dizer
Congele-se diante dele

Da frieza da tua pele
Sairão os vermes que te consomem em vida
Na morte espalham tua essência
Teus pedaços digeridos entranhando na terra
Alimentando novas flores

A menina passeia no parque
Sente o perfume da rosa
Inala teus restos pútridos banhados em pétalas
E assim continuas teu ciclo

(M.D.Amado)

~# STILLA VERBIS #~

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~* CADAUVERIBUS *~

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~# R.RAVEN #~

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Grande apreciadora da arte soturna em todas as suas variações...edito os blogs "Vroloc Web Zine" "Cantos e Contos Escuros" " Na Pena do Corvo" "Dark Places" "Stay Dark" tambem o e-zine em PDF "Flores Do Lado De Cima" que está na 04 edição dedicado a cultura Soturna... Se você pertence a esse mundo de poesia e arte seja muito bem vindo sinta-se em casa... R.Raven Ravens House Brasil

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